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"Juventudes sul-americanas": Coordenadores apontam expectativas em relação aos resultados |
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Escrito por Redação Fabiana Born
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Sex, 17 de Julho de 2009 17:19 |
América do Sul
Com o encerramento dos trabalhos referentes à pesquisa “Juventudes sul-americanas:diálogos para a construção da democracia regional”, coordenadores(as) do levantamento em Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai revelam expectativas em relação à incidência dos resultados da pesquisa nas sociedades, nos governos e nas instâncias regionais da América do Sul.
Segundo Lilian celiberti, de Cidiano Mujer, que coordena o projeto em conjunto com a Universidad de la república, no Uruguai, “A pesquisa colocou em primeiro lugar a capacidade dos(as) pesquisadores(as) de pensar o presente com categorias adequadas às mudanças que nos últimos anos vem transformando as formas de sociabilidade e a esfera pública de cada país”.
Lilian afirma que duas questões fundamentais guiaram o trabalho: De que maneira as formas de expressão dos jovens nos colocam frente a uma mudança da época? Em que sentido interpelam as categorias do mundo adulto, suas instituições e políticas? “Talvez esse aspecto constitua uma das maiores conquistas que foi proporcionar um olhar regional para os desafios levantados”, completa.
Helena Abramo, coordenadora do Brasil, afirma que a pesquisa acrescenta conhecimento e possibilidade de reflexão sobre o que é a juventude sul-americana hoje, suas questões, demandas e perspectivas de atuação. Para Erick Iñiguez, de Upieb, da Bolívia, a expectativa é de que o conhecimento gerado possa ser utilizado tanto por jovens como por atores que fazem políticas públicas.
Em relação a possíveis frutos da pesquisa, Felipe Ghiardo, de Cidpa, no Chile, aponta que o ideal seria que plataformas nacionais e regional [referente à América do Sul] se concretizassem.
Outro desafio, levantado por Martin Ferrari, da Fundação SES, na Argentina, seria: como inserir jovens que não estão organizados?. “Essa é uma tarefa para os jovens organizados. Repensar lutas, práticas e agendas para ampliar a participação juvenil em seus países; para que a luta seja de toda a juventude e não só de alguns jovens”.
“Esperamos que o projeto tenha criado laços que facilitem o desenvolvimento de trabalhos coordenados entre os próprios jovens. O mais importante é que o trabalho não acabe somente como um documento na estante”, ressalta Erick.
À respeito da incidência dos resultados, Diego Segovia, de Base-Is, no Paraguai, espera que a pesquisa possa ter impacto tanto nos campos acadêmico e político, como nas organizações sociais. “Espero também que seja o início de uma articulação mais sólida entre os movimentos sociais juvenis dos diferentes países. Acredito que o levantamento seja mais um passo rumo à construção de uma democracia transnacional, em resposta ao modelo globalizado da economia, muitas vezes opressor”.
Segundo Patrícia Lânes, “achamos importante que esse diálogo que iniciamos seja ampliado para a sociedade; que seja feito por outros jovens e outros pesquisadores e pessoas que têm interesse na temática”.
Última etapa da pesquisa
A fase final da pesquisa “Juventudes Sul-americanas:diálogos para a construção de uma democracia regional” foi realizada em junho, no Rio de Janeiro, e contou com a presença tanto dos(as) coordenadores(as) regional e nacionais, como de cerca de 40 jovens de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Foi o momento da discussão de quais caminhos e estratégias devem ser desenvolvidos conjuntamente para assegurar os direitos da juventude na América do Sul.
Para Martin, o diálogo regional [referente à região sul-americana] foi uma oportunidade para jovens de diferentes países, organizações e movimentos interagirem e encontrarem pontos em comum, apesar das diferenças de ideologias, partidos políticos e das próprias histórias de seus países. Com isso, poderão gerar condições de fortalecer as lutas em cada nação.
Diego, ressaltou a disposição dos(as) participantes para unir forças por suas demandas. “O que percebemos entre os(as) jovens dos seis países é uma grande vontade de integração de lutas. Temos que aproveitar esse potencial. Vimos que as organizações dos diferentes países podem chegar a consensos sem homogeneizar, respeitando as diversidades”.
Para Helena, a maneira como jovens viam uns aos outros e a facilidade com que reconheceram suas diversidades e questões comuns foi um dos pontos mais interessantes observados.
Segundo ela, outro ponto relevante foram as diferentes formas de organização e luta. “Há diversidade de militância e atuação juvenil. O tema da juventude está espalhado em muitos setores sociais. É possível falar que a militância juvenil reflete a diversidade das juventudes das cidades latino-americanas.”
Helena diz que a discussão feita pelos(as) jovens durante o encontro regional não foi uma simples síntese dos debates que ocorreram em cada país. Os(as) jovens levantaram questões novas, para além da pesquisa: “Por exemplo, 'a concepção de Estado', 'o que é Estado e o que é governo', 'como se faz a luta política'. Questões muito profundas debatidas por toda sociedade. Acho que os jovens têm muito a dizer e contribuir em relação a esses desafios”.
Erick, ressalta a importância de não se prender ao nacional: “quando trabalhamos com os grupos em âmbito nacional, sempre nos referíamos aos outros jovens. Durante essa fase, eles puderam estreitar laços com jovens de outros países e também se dar conta que não são tão diferentes. Foi uma importante ocasião para buscarem mecanismos de articulação”.
Felipe, completa: “foi uma oportunidade para muitos jovens que nunca tinham saído de seus países e não conheciam jovens de outros países. Isso ajudou a mudar suas perspectivas e perceber que todos têm demandas muito parecidas”.
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